sexta-feira, 2 de abril de 2010

Despedida


A hora já avançara muito mais do que sinalizavam meus sentidos. Na verdade, eu estava confuso, embriagado pelo momento, aquele recorte ímpar de uma realidade turva. Sentia um cheiro de seis horas da manhã - quando o ar ainda se encontra denso de orvalho e livre do magnetismo das preocupações do mundo; aquele ruído insistente, entretanto, lembrava-me a hora do rush. A leveza n’alma, não obstante, pouco combinava com a sofreguidão de qualquer alma desgraçada tentando voltar para casa. Sentia-me em casa, apesar do caráter tão estranho imposto pelo cenário.

Aproximei-me da janela e abri as cortinas. Foi quando eu me dei conta de que já passavam das seis. Da tarde. Era quase noite. A linha ao fundo, em sua ida e vinda, seu subir e descer, trouxe-me de volta à luz de que encontrava-me a navegar. A luz da cidade ao fundo refletia-se nas águas quase planas, não fosse pela pequena turbulência que se originava no canto superior direito daquela moldura viva. Era seu barco. Partia para algum canto neste mundo, escondido pelo canto superior direito de minha moldura.

Não me senti triste. Ao contrário, senti-me aliviado. Fui tomado pela profunda consciência de que chegara sua hora de ir. Este barco já não mais comportava suas marcas negativas, seus arroubos de ódio, sua fome de matar, vingando-se de todo o mundo por ter sido morto por um só. Pela primeira vez senti que caso seu barco despontasse de volta daquele canto superior direito de minha moldura, eu não pensaria duas vezes antes de carregar o canhão.

Vi desaparecer naquele canto um barco deveras pequeno transportando um ego gigante, pronto para digladiar com outros, pois aqui neste barco ninguém mais o temia. Cerrei os olhos e torci para que nenhum pirata neste mundo vivesse impune. Senti uma forte convicção de que pouparia minha bala e meu canhão, uma vez que outros barcos já apontavam contra o seu.

Cerrei as cortinas e me virei. Era tudo o que os cinco centavos me ofereciam de show naquele pequeno odeon de vida privada. Rumei para a cozinha e fui tomar um café.

quarta-feira, 17 de março de 2010

São Patrício





Apóstolo da Irlanda, levou o Evangelho àquela nação, que havia retornado ao paganismo.

Converteu os chefes dos clãs e, a partir deles, suas famílias. Fundou mosteiros e de tal modo intensificou o espírito católico na Irlanda que esta foi chamada "Ilha dos Santos".

domingo, 14 de março de 2010

Faltou raça ou ração?



O cara foge da escola porque "sonha" em jogar futebol "profissionalmente". Na infância, quando era para cuidar dos estudos, estava no terreno baldio, jogando bola. 
Agora, a pergunta que não quer calar: O Dodô não deveria ser demitido hoje?
Quem é o energúmeno que perde DOIS pênaltis numa partida? 
Esqueceram de dar a ração para esse quadrúpede? Nessas horas dá saudade do Animal... 

Ilusão de Ótica



Havia muito que eu não lhe via. Pareceu-me estranho como seu rosto mudou. Que ponteiros implacáveis! Como se não bastasse, vi no Discovery Channel que depois dos últimos fenômenos tectônicos no Chile, a Terra passou a girar mais rapidamente e os dias ficaram sutilmente mais curtos. É provável que eu tenha mudado também. Ah, os olhos... Sempre prontos para nos enganar a cerca do que nos pertence exclusivamente.  Que relação estranha essa que se estabelece entre o espelho, os olhos e o cérebro. Assim como não vejo nem sinto o movimento do planeta, não percebo o movimento em meu rosto. Descendente. Você percebeu. O meu. O espelho quebrou. Não servimos mais de espelho um para o outro. A imago sua que guardo ou sua imagem que chega-me à retina? A imago. Ela sim lembra-me de um tempo que o cérebro insiste em arquivar no fichário “ANTEONTEM”. Mas já faz muito tempo. Amigos não deveriam ficar tanto tempo sem se ver... 

segunda-feira, 8 de março de 2010

"Sou forte, mas não chego aos seus pés"



Não vou falar de suas formas e curvas que tanto nos inspiram. Não vou falar de seu sorriso que nos deixa de quatro. Quero apenas e simplesmente ratificar que sem você o mundo teria menos cores, menos sabores. Sequer estaríamos aqui. Quero expressar minha admiração pela sua fibra, sua quase onipresença em nossas vidas e sua generosidade. O homem que não se encontrou pela primeira vez no fundo dos olhos de uma mulher, perdeu-se nele para sempre.
Salve 8 de Março! 

sexta-feira, 5 de março de 2010

Se beber, não dirija.


- Caiu um mosquito no seu copo.
- Oi?
- Um mosquito. À essa altura já se afogou na sua cerveja.
- Tá falando sério?
- E eu lá tenho cara de quem brinca com uma coisa dessas?
- Como assim, "uma coisa dessas", cara? Foi só um mosquito.
- Só? Se você conseguisse ouvir os gritos dele ao se afogar nesse poço de álcool, não diria isso.
- Por acaso VOCÊ ouviu? Ouviu o imbecil gritando?
- Ouvi sim. Com o ouvido da alma.
- Nossa, que alma nobre! Só falta agora você me dizer que seu anjo da guarda é um pernilongo.
- Como posso saber? Nunca o vi.
- Nem com os olhos da alma?
- A alma é cega, rapaz.
- Pobre alma. Bom, pelo menos ela escuta né?
- Sei lá!
- Peraí... você não acabou de dizer que sua alma OUVIU o desgraçado do mosquito gritando cerveja abaixo?
- Foi metáfora, cara, Me-tá-fo-ra, saca?
- Só não mando você meter essa me-tá-fo-ra por entre o desfiladeiro de sua retaguarda em respeito a esse mosquito que, segundo você, acaba de morrer em meu copo.
- Ah, então você agora acredita no destino infeliz desta criatura.
- ...
- Você vai beber?
- O quê? A cerveja? Pirou? Então você acha que vou beber esse troço com esse cadáver boiando?
- Cara, você nem olhou pro copo ainda. O mosquito afundou. Não tá boiando, não.
- Você beberia?
- O quê? A cerveja? Não. Vai que eu engula o morto e herde seus carmas.
- Ah, essa agora. Carma. Vai com carma, meu amigo. Muita carma nessa hora!
- Você acha tudo muito divertido né? Não leva nada a sério.
- Ah, meu amigo, não vou ficar aqui escutando você filosofar sobre o carma dos insetos. Vou deixar você com seu carma e vou pra minha cama. Fui. Aí. Dez paus. Paga minha parte. Pode ficar com o troco.
- ...
- ...
- Inté!
- Ih, rapá...
- O quê foi?
- Acho que o rio que passa por entre o desfiladeiro de SUA retaguarda transbordou.
- Putz... tá de carro aí? Dá pra me dar uma carona?
- Tô, mas vou pegar um táxi.
- Pirou? Por que, maluco?
- Maluco, eu? Você passa a noite sentado num banco molhado, depois quer uma carona com um cara que ouviu os gritos de um mosquito e EU é que pirei? Fala sério.
- Putz... só dá maluco.

quinta-feira, 4 de março de 2010

Guerra das Camisetas

Fiquei sem adjetivos... Melhor dar logo nota mil para os caras. 


quarta-feira, 3 de março de 2010

Vlw! Depois eu deixo um scrap!





Recentemente um amigo me convidou para ir à festa de aniversário de uma amiga dele, que eu não conhecia. Fiquei curioso para saber um pouco mais sobre a aniversariante e acabei visitando seu Orkut. Tive uma enorme surpresa ao constatar que a garota tem 932 amigos. Novecentos e Trinta e Dois! 932?!
Além de tímido, não sou muito dado a eventos sociais.  Tenho apenas dois grandes amigos com quem me sinto muito à vontade de simplesmente me sentar e beber, ou assistir a um jogo, ou jogar alguma coisa no PS sem ter que conversar sobre nada, a menos que os três estejam verdadeiramente com vontade de falar. Tive uma estranha sensação de que ir à festa seria a grande furada do primeiro semestre de 2010. Acho quase sempre um saco estar no meio de um aglomerado de gente que parece ter o compromisso inexorável de dizer alguma coisa inteligente ou risível. Nesses programas, em geral, formam-se basicamente duas espécies de grupinho: (1) o de pessoas batendo altos papos “cabeça”, discutindo o sexo dos anjos, disputando quem usa o maior número de jargões técnicos e palavras proparoxítonas, e (2) o de pessoas para quem tudo ou qualquer coisa serve de motivo de piada. Em ambos os casos, percebo, o que essa galera está tentando fazer é muito simples: manter a distância.  Analisando-se de longe, vê-se um enorme número de falantes e quase nenhum ouvinte. São muitas bocas para poucos ouvidos.
Imaginei então este cenário duplicado, visto que se tratava de uma garota com 932 amigos no Orkut. Novecentos e Trinta e Dois! Certamente eu deveria esperar uma festa para cerca de 100 no mínimo. A sintomatologia que produzi ao pensar nisso foi desde uma vermelhidão epidérmica à sudorese descabida. Entretanto, meti as caras e lá fui eu.
Tamanha foi minha surpresa ao chegar à festa e encontrar apenas dez convidados. DEZ. 10! “Que dez!”, pensei aliviado, sem deixar, entretanto, de me sentir intrigado com aquilo. Apesar do pequeno número de pessoas, formaram-se os dois grupos supracitados. Resolvi evitar o grupo dos pseudo-intelectuais de óculos com armações pretas, visto que eu não estava muito a fim de avaliar o futuro dos atuais meios de comunicação frente à Transmídia. Cara, adorei a experiência tridimensional de Avatar, mas não me sinto suficientemente inspirado a discutir, numa festa,  a falta de profundidade da narrativa ou a legitimidade do argumento. Eu queria mais era curtir a caipirinha, que estava maravilhosa, e falar sobre os sobressaltos que experimentei durante a projeção do filme, desde os trailers, quando apareceu uma joaninha voando quase que sobre meu nariz.  
A caipirinha foi de grande auxílio no outro grupo, tornando tudo muito mais engraçado do que era de fato. Chegou um momento em que estávamos rindo de nada. Um cara no grupo não conseguia parar de criar piadas. Era uma atrás da outra.
No Blackberry da aniversariante, a cada três minutos chegavam mensagens de felicitações, todas recebidas com enorme animação e devidamente compartilhadas com alguns dos presentes. Algumas das mensagens eram tão fortes e tocantes, que compensavam pela ausência do remetente.
Será que é isso mesmo? Será que o extremo é o que há? Onde está escrito que devo agir como um acadêmico ou um comediante numa festa? Não seria possível falar sobre banalidades, sem medo de parecer o que somos de fato: pessoas comuns? O que significa ter 932 amigos no Orkut, que enchem a caixa de “scraps animados” e o Blackberry com milhares de mensagens do tipo “parabéns pra você”, “você é o máximo”, mas que não se dão ao trabalho de pelo menos pegar a droga do telefone e ligar? Será que tanta transmídia, tantos MSNs, tantos Orkuts e Facebooks estão a serviço da solidão acompanhada?
Não sei. Só sei que ao deixar a festa, eu tinha tomado seis caipirinhas de limão, passado meu MSN para cinco – que gostariam de continuar a gargalhar de longe – e pensado três vezes, durante a “conversa”: “ainda bem que não estaremos juntos quando o riso acabar”. 


sábado, 27 de fevereiro de 2010

A Trinta Metros do Chão



Que a tarde se oponha à manhã.
Que o sol recolha-se por um instante por trás de densas nuvens
E dê espaço à brisa que inicia este espetáculo, preparando nosso palco, nossa cama no terraço.
Que nossas peles não sejam tocadas por raios candentes, mas pelo frescor desta brisa que se opõe a nossos corpos em brasa
Que o ar se embebede do perfume de terra úmida, misturando-se ao aroma de sua pele desejosa de meus afagos, minha boca, minha língua e meu falo
Que este momento se prolongue por tanto tempo quanto eu puder tê-la envolta aqui, no calor de meu corpo, sentindo seu morno ofegar em meu ouvido, enquanto você se entrega completamente aos aferros de meu tesão.
Que o transbordar das densas nuvens alcance-lhe a face no exato momento em que eu estiver inundando-lhe de mim e, juntos, feneçamos por um doce instante.
Que chova no final da tarde.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Legítima Defesa

Já comprei muita briga dos outros. Senti-me ofendido por ofensas dirigidas a amigos. No entanto, descobri que nunca briguei por ninguém, mas por mim mesmo.
Sentia-me ofendido, injustiçado por motivos mil e, de repente, as brigas dos outros surgiam-me como emergentes, válvulas de escape para as minhas próprias angústias.
Também descobri que no fundo, ao comprar a briga dos outros, eu os subestimava e, consequentemente, sentia-me superior, o tal. Quanta arrogância! Infelizmente, muitas brigas comprei sem sequer me dar ao trabalho de apurar os fatos. Que babaca!
Ninguém precisa de minha defesa. Meus amigos sabem se defender. Não sou melhor que eles. Ser amigo não é isso. Isso é propaganda enganosa. É propagar-me como defensor dos oprimidos, tentando ganhar o troféuzinho de ouro, e, no processo, mimetizar minhas próprias dores e feridas e tentar reciclar a imagem negativa que tenho de mim mesmo.
Meu amigo, não o defenderei. Você sabe fazer isso muito bem. Conte comigo, mas não conte com a minha defesa. Permita-me resolver minhas próprias angústias no divã e permita-se crescer, parando de buscar cúmplices para suas causas. Não se esqueça de levar as luvas.  

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Com licença

Sai de meu caminho. É minha. É minha esta avenida. São minhas essas ruas. Quando tua mãe ainda experimentava a menarca eu aqui já gastava solado sobre essas lusas pedras.
Vês essa loja de departamentos onde vendem-se artigos descartáveis? Aqui já operou um centro cultural onde doavam-se e trocavam-se ideias perenes.
Achas teu jeans o ápice da modernidade em estilo? Pois sabe que muito sucesso ele fez em 1984, muito antes do Big Brother do Pedro Bial, bem depois do Big Brother do George Orwell.
Não me formei em 1981 com o já famoso Calixto, mas sou também um veterano, da turma de 1996.
Tem paciência, pois é por pouco tempo. Espera pelo meu desvanecimento que é iminente. Não te enganes com meus bíceps. Os joelhos não são mais os mesmos. Os solados já duram mais. As lusas pedras já se impõem contra minha cinética discretamente claudicante.
Aguarda até que eu esteja invisível. Até que minha imagem não mais consiga prometer aquilo que queres e que achas que estou pronto para te dar fortuitamente.  Olha para o lado. Ele também acha esse jeans o ápice da modernidade. Ele também adora assistir ao BBB, idolatra o Bial e ignora o George.
Segue em frente, mas sai de meu caminho. Não compreenderias as tatuagens em minhas costas, sequer conseguirias ver aquelas em meu peito, marcadas pelo Senhor Tempo. Não tenho tempo para explicações. Tenho urgência de realizar o que ainda não dei conta.
Seguirei daqui, rumo às ruas transversais cujos nomes, manhas e histórias tu ainda desconheces.  
Não te enganes. O dia chegará em que teu femoral repuxará e tentará impedir teu avanço. Até lá, entretanto, haverá poucas ruas, vielas, travessas e avenidas desconhecidas a ti. Desejarás o aconchego do familiar e repudiarás as balelas e frivolidades do novo.
Agora trata de apressar-te para que não percas o metrô, que já foi muito mais rápido e mais confortável. Mas disso tu não sabias e isso provavelmente jamais testemunharás. Não te entristeças, pois há um universo de parangolés familiar a ti e estranho a mim.
Segue em frente, mas por favor, sai da minha frente.  

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Fim de Festa

Findo o carnaval, a colombina colombiana volta sozinha para casa. Na mente, um saldo positivo de bocas beijadas, olhares trocados e novas promessas. Bocas cheias de cerveja, olhares nublados por tanta euforia e promessas vazias. Seu apartamento é demasiado pequeno para o tamanho de seu ego ainda inflado pelos eventos enganosos que acaba de experimentar.
 À medida que tira a maquiagem, entretanto, colombina sente seu entusiasmo murchar e o apartamento, repentinamente, crescer, acentuando-lhe a solidão.
Frente ao espelho, ela percebe os excessos. Excesso de cerveja; de comida; excesso de frituras; de noites insones; excesso de pele e gordura; excesso de idade. Já passou dos 40 e não há botox que prometa-lhe sensualidade. Pelo menos não a sensualidade como promessa de uma boa transa, posto que nossa colombina jamais aprendeu a se doar e nunca soube o que é transar direito. Sua filosofia sempre foi mais bancária do que pedagógica. Como poderia uma simples intervenção devolver-lhe o que nunca lhe pertenceu?
Sua arrogância lhe salva da depressão, mas não lhe poupa da realidade fria da cama. Tira a peruca, toma um banho e vai dormir. Sozinha. Amanhã, de colombina, só restarão cinzas. Ela acordará e dará de cara com a falta de azuis, amarelos e vermelhos em sua vida cretina. 

domingo, 14 de fevereiro de 2010

Sou isso


Não espere de mim consistência, pois permito que os dias me toquem, me moldem e me modifiquem. Estou vivo.  

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

A Brutalidade e o Conceito de Educação

Seriam brutais apenas os atos criminosos como um homicídio, um assalto à mão armada, ou um estupro?
Não seria brutal o extremo egocentrismo de quem leva seu cão a um bar, prende-o e o deixa latindo, incomodando a paz de quem deseja conversar e tomar um drinque?
Não seria uma brutalidade deixar seu filho pequeno gritar, se espernear e atazanar a vida de quem só queria tomar um café da manhã?
Não seria brutal uma mulher, carregando no ombro uma bolsa quase três vezes maior que ela, pegar um metrô lotado e achar-se no direito de continuar carregando-a ali mesmo, sem se importar com o incômodo causado nos demais ali espremidos?
Poderíamos considerar educado um sujeito que, no mesmo metrô lotado, insiste em manter a mochila nas costas, igualmente incomodando os outros?
Com a vida em um grande centro urbano, tenho refletido bastante sobre os conceitos de Educação, Caráter e Civilidade. Creio que sejam esses os três pilares da vida em sociedade.
Anos atrás eu me indignava quando alguém deixava de dar bom dia, boa tarde ou boa noite. Hoje, entretanto, tenho testemunhado tanta brutalidade no trato social que já não me choca a “simples” falta dessas saudações.
Max Weber introduziu o conceito de ação social e Seu Antônio, meu pai, o conceito de urgência e prioridade de correção; utilizo-me de ambos para tentar chegar a uma definição de educação que não se limite ao “dar bom dia”.
Para Weber, a ação social “é orientada pelas ações de outros. Isto é, ação social é todo comportamento cuja origem depende da reação ou da expectativa de reação de outras partes envolvidas. Essas outras partes podem ser indivíduos ou grupos, próximos ou distantes, conhecidos ou desconhecidos por quem realiza a ação”. 
Para Seu Antônio, como seres humanos gozamos do direito de ter todos os defeitos do mundo, mas temos por obrigação corrigir aqueles que impactam na vida alheia.
Agora, articulando as duas ideias, proponho um conceito de educação como um conjunto de ações e atitudes acompanhadas por uma reflexão a respeito das consequências que essas terão sobre a integridade física e emocional dos outros. Essa práxis sinalizaria o caráter do sujeito e seria, talvez, a pedra angular da civilidade.
No Plaza Shopping há um restaurante japonês, o Gueixa, onde tem um rodízio em que as porções são servidas em esteiras duplas, para atender ambos os lados do balcão. O que não falta é gente pegando uma porção da esteira do lado oposto ao seu, antes de chegar ao cliente que está naquele lado do balcão e que, por conseguinte, tem direito àquela porção. Seria incoerente duvidar do caráter desses sujeitos?
O respeito pelo espaço físico e emocional dos outros é, para mim, fundamental em qualquer nível de convivência social. Disse isso em outro post e repito: tem gente que só não está enjaulada por ser bípede e capaz de falar. Chegará o dia em que preferirei o convívio com vacas e porcos - os quadrúpedes, é claro.  

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

He who tried to be

From his urges to reinvent himself came his yearn to buy. Little did he know, however, that the more he purchased, the bigger the void would get. For there were no goods which could ever fill that gap. At the end of the day, bushed and empty, bent out of shape, hollow in the depths of his soul and angry to his very core, he crashed on his couch alone, staring at the ceiling. Too tired to contemplate on his deeds, he dozed off and dreamt. He dreamt of his perfect self, surrounded by perfect selves with perfect stuff and whatchamacallits, gadgets which promised the moon but hardly delivered a sigh of happiness which lasted for more than three seconds.
He woke up feeling empty, but reckoned it was time he grabbed a bite of the perfect sandwich he'd bought at the perfect health store. He looked around at the shelves of selves and smiled a pale smile. There was nothing else but those pieces of promises for him to hold on to.  The alarm went off. It was time to watch yet another installment of Big Brother. 

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Compartimentos



Às vezes em caixas. Outras, em gavetas. Outras tantas, no lixo. Falo de coisas diversas. Refiro-me aos brinquedos, que foram saindo de cena, um por um. Esconderam-se na caixa de um tempo que esvaiu-se à medida que se abriu uma lata de zinco contendo esta resina densa de maturidade. Falo de pessoas que já foram. Pessoas de cujas partidas lembro-me com pesar. Pessoas cujas partidas causaram-me alívio. Pessoas que demoraram a partir. Permanência indevida. Falo ainda de sonhos, ideias, planos e esperanças. Que longa existência de eterna reciclagem. Não sei o que é saudade. Tudo que foi, na maioria das vezes, foi tarde. O que fica são marcas, registros. E eu. Fico. Permaneço. Marcado. Alterado em pequenas áreas e esferas, mas, em essência, o mesmo projeto. 
Às vezes abro uma das caixas. Outras, verifico se algumas gavetas estão devidamente trancadas. Geralmente as caixas são o destino final dos capítulos que volta e meia releio. Dos brinquedos nos quais, vira e mexe, quero mexer novamente. Suas tampas facilitam o acesso. Alegro-me quando, ao abri-las, sou tomado de surpresa por uma peça do lego que salta e aterrisa no chão. Em uma das caixas, nunca me lembro qual exatamente, ficam as fotos, os filmes e restos de pele morta. Esses guardo para lembrar-me, no futuro não tão distante, do que se foi e deixou esses sulcos que se aprofundam lenta e sorrateiramente. São esses restos, nada ou ninguém mais, que me lembrarão da juventude que por ora ocupo-me de sugar até a última gota. 
Já fui parar em caixas e gavetas de outrem. Houve momentos em que fiz questão de me enfiar nelas. Fui também enfiado. Nada mais natural. Sei que não escaparei da última caixa, sequer da grande gaveta. Só não quero e nem preciso ver nenhuma das duas. Deixarei que cuidem disso quando eu os tiver deixado sem a promessa de um futuro retorno. Num futuro distante, assim espero. 

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

“Que bom que as flores são de plástico. Durarão para sempre.”

Aqui dentro, Karin, grávida de alguns meses, lê um livro enquanto o marido, Gus, assiste à TV. A calefação os ajuda a enfrentar o frio. Do inverno e do tédio instalado pela rotina.
Lá fora, na garagem onde reside, Lars está feliz. Dança com sua namorada, Bianca. Não há nada rotineiro nessa relação. Pelo contrário. Lars está começando a se abrir para a vida, para as pessoas, para as interações sociais. Lars é um homem, um ser humano de carne e osso, desabrochando e derretendo os muros de gelo que o separam do mundo. Bianca é perfeita. Linda. Sensual. De látex. Acaba de chegar pelo correio. Veio em uma caixa de madeira. Lars a comprou em uma Sex Shop online.
Essa é a história contada pelo diretor Craig Gillespie, australiano radicado nos Estados Unidos. Lars And The Real Girl recebeu, no Brasil, o título A Garota Ideal e tem uma verve de filme europeu, inteligente e sensível. No universo criado por Nancy Oliver, Bianca surge como objeto transicional de Lars e um emergente psíquico para toda a pequena e simpática comunidade. Bianca, a boneca de látex, originalmente projetada para realizar fantasias sexuais, acaba ajudando Lars a substituir muros por pontes, fazendo o mesmo com todos que os cercam, inclusive a psicoterapeuta da cidade.
É difícil encontrar adjetivos para esta obra-prima. A direção é irrepreensível, os atores, fantásticos e a trilha sonora, um show à parte. É filme pra se ter em casa, na mesma prateleira de Embriagado de Amor e Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças.  

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

É preciso que saibas



sinto-me pequeno diante de Tuas virtudes. não És modelo de perfeição, como ninguém o é. És, entretanto, admirável. admiro Teus textos, Tuas letras, Tuas construções, demarcações. amo Teus gestos altruístas. Teu olhar. Teu sorriso. Tua doação sem carta promissória. Encantas minha vida com Tua música, Teu charme, Tuas plantas, flores de um jardim tão fragrante quanto Tua pele. essa pele que perfuma o lado esquerdo da cama e acaricia-me o lado direito do cérebro.
temo perder-Te para o tempo, mas não perco tempo com minhas agonias paranoides. Estás aqui e é isso que me importa. estou Contigo. observo, aprendo, amo.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Salve, Fervereiro!



Fevereiro tem cheiro e gosto de festa, frevo, ferveção. Hoje de manhã ouvi gente falando sobre carnaval. Quando parecia que o ano começara, a coisa voltou à paralisia imbecil que teve início na segunda semana de dezembro. Creio que 2010 só comece mesmo em maio. Dia 2, é claro, pois dia primeiro é feriado. Yes, we have bananas!

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Até mais, J.D. Caulfield!



Um dia fui como Holden. Você, Salinger, conseguiu plasmar em um personagem muito do que eu sentia e parcialmente vivia.
Li Catcher três vezes e, ontem, ao saber de sua partida, senti vontade de lê-lo novamente. Não sei onde deixei meu exemplar, mas certamente o encontrarei. Aprendi muito inglês com você e seu estilo elegante e simples. Aprendi muito a lidar com minha rebeldia e meu sentimento de não pertença. Ontem fiquei pensando em você, encarapitado em sua solitude povoada. No alto já estava e no alto continuará. As planícies rasteiras não lhe pertencem. Estará sempre tocando as nuvens. E eu, aqui em baixo, continuarei explorando esses campos de centeio. Vá com Deus, seja lá o que isso queira dizer.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Suspense de Qualidade


Suspense para mim é isso. É difícil fechar o livro na boa. Jonathan Kellerman presenteou-me com esse tipo de experiência. Em Twisted, cada página revela uma nova possibilidade, nova trama. Personagens bem elaborados, história bem engendrada. Delícia de livro. Parece que estamos assistindo a um filme. Petra Connor, assistente do psicólogo Alex Delaware em outros livros de Kellerman, se vê às voltas e come um dobrado com o estagiário, menino prodígio Isaac Gomez em suas tentativas de descobrir o que está por trás dos assassinatos de tantos adolescentes. Delicioso!!!

Uma História de Amor


Todas as manhãs Artur levava o pênis para passear. Chamava-o de Rex. Adorava quando a mulherada parava para brincar com seu pênis querido. A vida ficava sem graça se ele não levasse o melhor amigo para dar a volta matinal.
- Que pênis mais lindo! - diziam algumas.
- Que coisa peluda mais gostosa! - exclamavam outras.
- Qual é a raça? - perguntavam todas.
- Basset hound, o famoso salsicha - respondia ele, sempre orgulhoso.
- Nossa, que salsichão! - constatavam as mais empolgadas.
Um dia, Artur e seu pênis encontraram-se com Mariana, que levava os seios para tomar um sol e fazer as necessidades. Turbinados, chamavam-se Fofinho e Docinho. Numa conjunção tempo-espacial perfeita, Rex perdeu-se naqueles lindos poodles e neles ficou imerso, feliz. Um salsicha peludo e teso, fundindo-se na alma de dois poodles turbinados.
Concluindo que não seria possível viver longe um do outro, Artur e Mariana decidiram juntar-se e prometeram amor eterno.
Depois de um tempo, entretanto, Rex quis dar uma volta. Ficara muito tempo preso e precisava tomar um ar. O ar da liberdade. Sentia falta de outros olhares de admiração. Necessitava ser acariciado por outras mãos. Por mais que tentasse, Artur não conseguiu segurar a fome de Rex. E lá se foram os dois, felizes da vida, prontos para os elogios de novos olhares.
E os poodles turbinados? Vejam vocês, que coincidência: esses dois já andavam passeando pelos parques da cidade havia um bom tempo. Rex já não os entretia como antes.
Coisa de cães. Coisa do cão.



segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Pá no Pó


É preciso mudar. Na minha idade, já não dá mais para varrer o pó e escondê-lo embaixo do tapete, por preguiça de pegar a pá, pendurada lá na área de serviço. Preguiça ou medo. Talvez medo de encarar o pó e, como Lourenço, que temia ser responsável pelo fedor que vinha do ralo, descobrir-se autor de tanta sujeira. Andamos. Saímos. Abrimos as janelas. O pó é meu.

Não mais conviverei (cá estou eu com meu tom fatalista e decisivo) com a poeira que produzo. Aspirá-la-ei, varrê-la-ei, jogá-la-ei fora. Não mais ficarei em meio a tanto serviço pela metade, muito menos insistirei nas mesóclises. Não mais permanecerei no meio, sentado no muro. Se der empate, é zebra. Coluna do meio nem a pau. É pá.

Começarei pelos pseudo-amigos. Que se danem os hífens e suas novas regras. A regra agora é simples: amigo não tem meias palavras. Posto que meias palavras refletem falta de intimidade. Como pude um dia, tão despudoradamente, ser sincero com você, pseudo-amigo? Só para descobrir, mais tarde, que você ocultava razões e motivos, tão pequenos e mesquinhos, tão singelos e pueris. Tão... medíocres. Não é e nunca foi meu amigo. Para você o que importa é número. Quantos batizou, quantos apadrinhou, quantos lhe querem bem. E você? Quer bem a quem? Seus números me mostram o que para mim estava claro havia muito: seu lugar é na pá e não embaixo do tapete. Deus me perdoe pelo pó acumulado!

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

O Caldeirão Familiar e os Terremotos no Haiti


Os móveis em meu apartamento estão na mesma disposição que seis anos atrás. Muito mais que um estilo de vida, esse fato é um sintoma, um sinal de quem eu sou. Por mais que eu tente me enganar com a ideia de que a flexibilidade está presente em meu caráter, no fundo sei que é uma enorme tolice. Filho de pai militar e de uma mãe cuja intransigência anda de mãos dadas com a arrogância feito duas primas egípcias (e, com o passar dos anos, essas duas mais parecem patas chocas), meu legado de rigidez praticamente acompanha-me o código genético.

Não vejo a hora de trocar o sofá – que comprei em 2002 -, mas o novo não ocupará outro lugar senão o mesmo do antigo. Essa história de lugar é coisa séria, sobretudo para quem aprecia com certa frequência a experiência ébria. Depois de um tempo, parece que o cérebro desenvolve um afeto ao entorno de tal forma que, quando embriagado, o danado se recusa a reconhecer novos layouts e insiste, como de pirraça, a orientar o bebum segundo as antigas disposições. Canela roxa é o resultado mínimo desse processo.

Ontem fiquei imaginando minha irmã Iara, grande herdeira das esquisitices de minha mãe – ela não admitiria isso nem com um revólver apontado para sua cabeça – reagindo aos terremotos no Haiti. Iara, que se borra de medo de mudar o status quo, foi batizada em homenagem à rainha do mar, mas na verdade é a rainha do Não Façam Marolas Social Club S.A. Flexibilidade é uma palavra que quando ela pronuncia, expele uma baba espessa pois sua língua engrossa e é repuxada para a garganta, conferindo-lhe um aspecto de louca. Sua filha, que já tem 28 anos, linda de dar friozinho na barriga, não pode namorar. Quer dizer, poder ela pode, mas a rainha louca pira. Todo e qualquer namorado que sua filha arranja é viado. Iara não pensa duas vezes antes de tentar sabotar os relacionamentos da filha. Quando o namorado não é uma bicha, o problema é da pobre Ana que é uma vagabunda. Talvez a tsunami de hormônios vivida pela jovem lembre à mãe do deslizamento de terra, pele e papa que ela vem experimentando.

Minha irmã mais velha é provavelmente a que menos parafusos tem fixando o cérebro. É louca de enlouquecer qualquer um. Foi a primeira vítima das alucinações fantasmagóricas de minha mãe, que a batizou de Uiraçaba, nome inspirado numa palavra usada por José de Alencar em seu romance não menos louco e incompreensível -Iracema (Alencar jurava tê-lo escrito em língua portuguesa.) A inflexibilidade de minha irmã chega ao extremo de ela não querer que ninguém a visite para não desarrumar a casa. Seu apelido entre nós é “A Louca da Torre”.

Meu irmão tem tanto medo que mudem seu mundinho que se trancafiou em algum buraco e não sai de lá há anos. Faz muitos anos que não o vejo. Creio que ele tenha criado raízes no chão e crescido como um carvalho.

Somos todos muito inflexíveis, temerosos e covardes. Só não perdemos o rebolado e ai de quem tente derrubar nossas máscaras de corajosos. O tempo escurece. Rola até furacão, mas é tudo muito mais barulhento do que prejudicial.

Queria ver essa família viver o caos que os haitianos enfrentam agora. Pó de merda é o que viraríamos, revelando-nos integrantes da famosa família do João Cocô.

domingo, 17 de janeiro de 2010

Beijo Bandido

Imagine ir ao cinema assistir a um filme do Michael Moore e dar de cara com uma homenagem descabida a George Bush. Foi assim que eu me senti com o espetáculo Beijo Bandido que Ney Matogrosso estrela no Canecão: chocado.

Não seria correto dizer que compareci a um show do cantor, mas a um recital melancólico de cortar os pulsos. A sessão de torturas foi aberta ao som de Tango para Tereza e daí o rosário de lágrimas estendeu-se até cerrarem-se as cortinas.

Contido, quase um clérigo em seu costume bege e camisa branca, Ney muito mal explorou o palco. Alguém na plateia, já abrindo a embalagem da lâmina, gritou:

- Tira a roupa!

Era um grito de misericórdia com certeza.

Contorci-me até a última canção, tentando me concentrar na belíssima voz do cantor, mas senti-me traído. Não é esse Ney Matogrosso que está no inconsciente coletivo. Não me refiro a plumas e paetês, mas à vibração, à alegria contagiante tão presente nas músicas que ele interpreta e que chegam às rádios, às trilhas sonoras e por aí vai.

Quem curte alimentar mágoas, “dramalhórdias” baratas e adora ruminar as dores do passado, não pode perder essa pérola!

Infelizmente não consegui pelo menos a metade do ingresso de volta – que paguei inteiro, pois devo ser um dos poucos que não têm carteirinha de estudante falsificada neste país bandido.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Moving ahead




Os planos. Os projetos. Eles nos afastam da insanidade. Como é bom acordar com a sensação de poder continuar tentando. É muito bom ter o que tentar.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Esta tem um cheirinho de fim de semana!

Não parei de tocar esta música a semana inteira. Soa como um convite para sair, dançar, ver gente bonita.


sábado, 2 de janeiro de 2010

O Lixo do Luxo

É como diz Dona Shirley: “Boa romaria faz quem em sua casa fica em paz”. Não concordo cem por cento com o ditado, mas em momentos como esses que vivemos agora, até que faz sentido. Abri o jornal enquanto cortava o cabelo e li as diversas matérias dedicadas aos deslizamentos de terra ocorridos em Angra dos Reis. Um grupo de colegas da Faculdade Federal de Minas encontrara-se ali para festejar a passagem do ano e, dos oito, três não voltarão para casa com vida.

Fica sempre a pergunta: teria sido tal evento totalmente imprevisível para os donos dessa pousada “de luxo”? A impressão que tenho é de que esses caras só pensam no lucro. É como o que ocorre no Metrô Rio. A dignidade só voltará aos serviços desse transporte – que é bem caro, diga-se de passagem - depois que houver alguma desgraça. Qualquer criança na terceira série entende que é loucura deslocar o mundaréu que se aglomerava na estação Estácio para a estação Glória. É tudo uma questão de espaço! A plataforma da Glória é mais estreita, dá para entender ou preciso desenhar? E outra: quiseram popularizar os serviços, mas não tinham – e ainda não têm – estrutura para dar conta da ampliação. Dignidade saiu pela janela – aquela que o povo AINDA não quebrou, mas que faço votos que quebre.

O jeito é tentar permanecer numa mínima zona de conforto: pegar um ônibus ao invés do metrô. Fazer programas próximos de casa. Questionar sempre o “luxo” que oferecem. Aliás, eis uma prática que utilizo já há algum tempo. Recuso-me, por exemplo, a frequentar lugares badalados. Fui a um bar “descolado” sábado passado e devolvi DUAS caipirinhas. Como posso pagar 17 reais por uma porcaria mal feita? Fila em um restaurante? Passo para outro. Espera para sentar-me numa porcaria de mesa em um bar para encher a cara? Tô fora. Como já dizia o grande escritor: “A unanimidade é burra”. Não há NADA no Jobi, no Mian Mian ou no Bracarense que justifique uma fila de espera. Quanto mais lotado o bar, pior a qualidade da caipirinha. E quanto maior o número de frequentadores que só enchem a cara de cerveja, maior a incidência de gente mal educada e menor a incidência de gente bonita – não há beleza em gente barriguda, faz favor. Prefiro ficar em casa ou ir ao meu bar preferido – onde é servida a melhor caipirinha do Rio de Janeiro, onde não há fila de espera e cujo endereço não dou nem a pau.

Fico triste por quem pagou uma nota preta para morrer soterrado. Fogo nos donos dessa “pocilga de luxo”. E para quem insiste em esperar nas filas para comer ou beber, lembre-se: vale a pena fazer uma visita à cozinha desses lugares. É imprescindível. E não acredite no povo que se aglomera para comer. Poucos são “locais” e muitos estão ali só para “sair na foto”. Deus me guarde da hora!