É.
Cansei
Daquele
Lado de lá
Prefiro este
Aqui, ora pois.
Não
me
peça
para
voltar
pois
meu
canto
é esse
aqui.
Não se preocupe.
É tudo provisório!
É.
Cansei
Daquele
Lado de lá
Prefiro este
Aqui, ora pois.
Não
me
peça
para
voltar
pois
meu
canto
é esse
aqui.
Não se preocupe.
É tudo provisório!
Esperei até que ele concluísse aquela longa e minuciosa descrição de técnicas e aparatos para a prática onanística, que envolvia, entre outros, caixas de ovos e rolos de cartolina, e perguntei:
- Meu irmão, qual a fonte de tanta criatividade?
Ao que ele respondeu:
- Cara, na infância, eu não perdia nenhum programa do Daniel Azulay.
Doravante evitarei, a todo custo, lembrar-me da Turma do Lambe-Lambe.
Sabe quando vamos ao banco com a simples tarefa de pagar uma única conta e, ao chegarmos lá, damos de cara com uma fila imensa? É quando começamos a rezar para tudo quanto é santo, anjo e querubim para que não haja officeboys na fila.
No meu caso, em 98 por centos das vezes, há. Os santos, anjos e querubins já até desligaram a conexão direta entre nós quando o assunto é banco. Lá estou eu, com uma porcaria de uma conta que não posso pagar no caixa automático porque a desgraçada só pode ser paga no banco de origem – onde não tenho conta – e, à minha frente, três officeboys – TRÊS! – com vinte e cinco contas em mãos. Os caras chegam a se escorar no balcão entre eles e o caixa que, na maioria das vezes, envolve-se em um papo para velório.
O pior é que este carma parece se estender ao supermercado. Sabe a fila dos frios? Pois é. Eu NUNCA peço mais que dois tipos de frios – queijo minas e peito de peru defumado – até mesmo porque lá não encontro mais nada que eu possa chamar de saudável. À minha frente, tem sempre um(a) desgraçado(a) pronto parta pedir duzentAs gramas (sic) de pelo menos oito itens. Coisas das quais nunca ouvi falar. Outro dia ouvi uma criatura pedir, entre os vários itens bizarros em sua longa lista, duzentAs gramas (sic) de salame siberiano. Siberiano?! Desde quando produz-se salame na Sibéria?! A criatura infeliz conhece salame siberiano, mas não sabe que “grama” como medida é masculino? Não me estenderei nisso, mas tratava-se de uma senhora gorda, dessas que provavelmente se queixam do colesterol.
Não quero tirar o direito de ninguém comprar quantos itens bem quiser, pagar quantas contas precisar ou até falar um português questionável. O que não entendo, entretanto, é por que não se criam filas distintas. Por exemplo, nos bancos, deveria haver um caixa para até duas transações, outro para mais de duas transações. O mesmo no setor de frios do supermercado. Dessa forma poderíamos evitar que a ida ao banco ou ao supermercado fosse um carma para todos.
Havia muito que eu não lhe via. Pareceu-me estranho como seu rosto mudou. Que ponteiros implacáveis! Como se não bastasse, vi no Discovery Channel que depois dos últimos fenômenos tectônicos no Chile, a Terra passou a girar mais rapidamente e os dias ficaram sutilmente mais curtos. É provável que eu tenha mudado também. Ah, os olhos... Sempre prontos para nos enganar a cerca do que nos pertence exclusivamente. Que relação estranha essa que se estabelece entre o espelho, os olhos e o cérebro. Assim como não vejo nem sinto o movimento do planeta, não percebo o movimento em meu rosto. Descendente. Você percebeu. O meu. O espelho quebrou. Não servimos mais de espelho um para o outro. A imago sua que guardo ou sua imagem que chega-me à retina? A imago. Ela sim lembra-me de um tempo que o cérebro insiste em arquivar no fichário “ANTEONTEM”. Mas já faz muito tempo. Amigos não deveriam ficar tanto tempo sem se ver...